Converse com a gente ...

Equipe

terça-feira, 29 de junho de 2021

Ser e Existir. Parece Simples, Mas Não É

 Por Conceição Gomes

Colagem de Imagens da Internet
Para quem está acostumado a ‘me ler’, sabe que curto misturar os assuntos (temas); Rogério Madruga, nosso revisor, quase enlouquece com esta minha (des) organização peculiar e sempre elogia com fervor minha saudosa mãe, rs. I’m sorry! Cabeça de geminiano é um lugar com gravidade zero, ou seja, tudo está tão perto e longe, alto e baixo, na horizontal e vertical no mesmo tempo e espaço. Isto posto, vamos à reflexão da vez.

Começando com amenidades, nesta semana recebi um calendário da carlotas.org, uma empresa social que busca expandir o entendimento sobre a potência da diversidade, o exercício da empatia e do respeito nas relações através da arte, diálogo e ludicidade. Um mimo para enfeitar minha mesa de trabalho com propósito e pontualidade. 😍😘Obrigada Carlotas!

A Burguer King lançou a campanha - ‘No BK todo mundo é bem-vindo!’ – onde crianças dão sua opinião sobre pessoas que se relacionam com pessoas do mesmo sexo. Lindo, sensível, simples e empático. Mas, aí, o meu paraíso começou a balançar, figuras saíram do umbral e invadiram meu universo particular.

Um apresentador de TV fez um discurso homofóbico e preconceituoso sobre a campanha carregado de conceitos absurdos e extremistas, uma violência e desrespeito com as pessoas LGBTQIA+ e, principalmente, com as crianças e os responsáveis que participaram da peça publicitária que tem um propósito tão necessário e urgente nos dias de hoje, lembrando que o Brasil é o país que mais mata LGBTQIA+ e só reverteremos esse quadro com a cultura e educação de RESPEITO.

Pegando o gancho, estava assistindo a série *Pose e fiquei pensando o quanto ainda temos que aprender sobre esse assunto. O respeito, a empatia e o acolhimento deveriam ser como comer, dormir, beber água, ou seja, tão simples assim.

Divulgação
Aproveitando esse universo de Pose em que maquiagem e cabelo são essenciais na produção das Divas, o que são Elektra, Pray Tell e Blanca?? MA-RA-VI-LHO-SAS. Mas, continuando ...

São muitas laces es-can-da-lo-sas - para quem não sabe lace é a antiga peruca - e eis que chegamos a outro entrave trazido do umbral para meu universo paradisíaco. Camilla de Lucas (Ex-BBB21) foi atacada nas redes sociais por causa de seu cabelo, suas laces etc., e eu tinha recém assistido a um trecho de vídeo de uma criatura dizendo que a mulher negra que usa lace estaria se apropriando culturalmente de uma estética branca. Oi??!! 😳😠😡

Eu percebo que, desde que a mulherada crespa resolveu fazer a transição capilar, esse assunto se tornou mais uma discussão, mais uma arma para os racistas, e percebo, também, o quanto o cabelo é um símbolo vital de autoestima para as mulheres, principalmente para as mulheres negras e realmente traduz força, poder e pertencimento para nós.

Desde a antiguidade, o cabelo é um símbolo de grande importância para caracterizar e qualificar os seres humanos. Começando pelos próprios deuses gregos, o cabelo já exercia a função de descrevê-los, como os longos e loiros cabelos de Afrodite que lhe cobriam a nudez corporal, ou, a força do herói bíblico Sansão, que originava de suas madeixas. O poder imputado aos cabelos era tanto que era comum as pessoas ofertarem suas madeixas aos deuses como troca em promessas.

No Egito Antigo, berço dos peruqueiros, as perucas eram usadas não só como adornos dos faraós mas, também, uma forma de distinção social. Quanto mais ricos e importantes, melhores eram as perucas. Além da estética, as perucas desenvolviam a tarefa de livrar as pessoas de piolhos e outros problemas capilares.

O século XVII ficou marcado como sendo a época de ouro das perucas na Europa. Reis famosos como Luís XIII e Luís XIV, da França, e Carlos II, da Inglaterra, eram adeptos do acessório e se tornou um objeto de prestígio entre a nobreza, uma das mais importantes peças do estilo masculino da época. Um cavalheiro não poderia sair nas ruas com os cabelos curtos. Em algumas classes, a falta da peruca era até uma ofensa.

Culturalmente ou religiosamente, o cabelo sempre foi um símbolo determinante na distinção social, etária, estado civil, raça e até mesmo nas convicções políticas da humanidade. Vejo a peruca como um elemento transgressor ao longo da história, uma rebeldia salutar contra a natureza, e utilizado, principalmente, como um ato político de ser e estar, claro que, sempre buscando a ideia da beleza perfeita e categorizar as castas.

Hoje, a terminologia cabeleireiro – profissão nascida em Roma - já está caindo em desuso dando espaço para o **Visagista, a peruca virou lace, e assim caminha a humanidade...

As ‘verdades absolutas’ enraizadas e adestradas nas classes dominadas foram sempre estratégias de uma classe dominante que sabe muito bem ‘guiar’ o povo ao seu bel-prazer. Democracia é educação e respeito, é um regime para TODOS realizado por TODOS, é plural, não dá espaço para a cultura mono. Liberdade é diferente de libertinagem. Direitos são normas, prerrogativas; a conquista é uma ação.

A descolonização é uma conquista com prerrogativas através da educação e respeito. O colonizador não pode perder sua galinha dos ovos de ouro (o povo), logo, promove o panis et circenses através do mundo imaginário do ***Dr. Parnassus onde realidade se confunde com imaginação, criando uma nova realidade imaginária de prazer e certezas.

Se a esta altura do texto você está questionando a minha sanidade, significa que provoquei em você algum desconforto: ótimo, sair da zona de conforto nos obriga a refletir!!

O mundo imaginário do Dr. Parnassus é a exemplificação da histeria coletiva em que nossa sociedade está chafurdada. É simples observar isso quando alguém diz que a mulher negra usar lace loira é apropriação cultural da raça ariana; quando alguém diz a essa mesma mulher que o uso da lace loira é negação de suas raízes ancestrais; e mais louco ainda, é essa mesma mulher se sentir obrigada a se explicar para ambos os lados o porquê de ela usar a lace loira; ou, ainda, uma criatura dizer publicamente que a campanha publicitária de uma rede de lanchonetes está obrigando crianças a acharem normal respeitar a individualidade sexual do outro e que isto é um absurdo...

Bom, olhando com atenção no espelho de Dr. Parnassus, vejo uma luz no fim do túnel e ela está em ****Haia com a graça de Deus e dos Deuses gregos e iorubanos. Nesta “panaceia desvairada” (sim, panaceia mesmo, licença poética) sigo refletindo e desejando dias melhores para todos nós com a liberdade do exercício democrático respeitosamente.

Afrobeijos com muita bateção de cabelo, e até a próxima!

 

*Pose - É uma série dramática americana de televisão sobre o cenário LGBTQIA+ afro-americano e latino-americano da cidade de Nova Iorque. Apresenta a cultura ballroom entre os anos 80 e 90, onde os personagens em destaque são dançarinos e modelos que competem por troféus e reconhecimento. Eles se apoiam em uma rede de famílias escolhidas conhecidas como Casas, para lidar com os preconceitos e injúrias daquelas épocas.

**Visagista - O visagismo é o conjunto de técnicas usado para valorizar a beleza de um rosto. Trata-se de um estudo completo do indivíduo que, através de comprovações matemáticas, conseguidas após observações e análises que levam em consideração aspectos emocionais e inerentes do ser, consegue atingir um resultado extremamente satisfatório para profissional (visagista) e cliente.

***Dr. Parnassus - The Imaginarium of Doctor Parnassus (O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus) é um filme independente de fantasia dirigido e escrito por Terry Gilliam, sob auxílio do roteirista Charles McKeown. O filme segue o líder de uma trupe de teatro itinerante que, tendo feito um pacto com o diabo, conduz o público através de um espelho mágico que explora suas imaginações.

****Haia - Haia é uma cidade na costa do mar do Norte da região oeste dos Países Baixos. A cidade alberga também o Tribunal Internacional de Justiça das Nações Unidas, sediado no Palácio da Paz, e o Tribunal Penal Internacional. Por isso, também costuma ser denominada como Corte de Haia ou Tribunal de Haia.


quinta-feira, 13 de maio de 2021

LUTO

Por Conceição Gomes

Momento de grande tristeza em vários assuntos e não gostamos de perpetuar tristeza, porém, o silêncio nem sempre é possível. Queremos gritar, falar, exigir, informar..., mas, gritar, falar, exigir, informar a quem e para quem?

É cansativo persistir em uma caminhada onde encontramos tantos contra nós. Nas últimas duas décadas a imprensa, o jornalismo, caiu no descrédito popular de uma forma devastadora. Como em toda profissão existem os bons, os médios e os maus profissionais, todavia, o aumento significativo de pessoas que se auto intitulam ‘mídias’ à frente de portais, blogs, vlogs, sites, programas televisivos etc. tornou a notícia passível de ser uma fake news, e levou o jornalismo em geral a um discurso raso e questionável.

O despreparo dessas pessoas é perceptível em alguns pontos, principalmente no desconhecimento de ética profissional, a chamada imprensa marrom do passado, de fácil identificação, sempre apelativa e sensacionalista. Muitas vezes esses profissionais eram diagnosticados como urubus em cima da carniça.

Entretanto, dava para separar o joio do trigo e, hoje, somos colocados todos no mesmo saco. A pretensão e soberba, garanto, caro leitor, não fazem parte desse humilde e pequeno veículo, não somos melhores, nem piores que ninguém, muito pelo contrário.

Entristece-nos muito ver ‘profissionais’ que, claramente, não fazem ideia da diferença entre furo de reportagem e especulação, fofoca ou falta de ética.  Infelizmente, percebemos isso no caso do falecimento do ator Paulo Gustavo.

Alguns veículos mataram o ator antes mesmo de ele morrer de fato e o desrespeito com a família, assessoria de imprensa e equipe médica dele foi de uma inabilidade constrangedora.

Informar é a nossa tarefa, simples assim. Devemos colocar à disposição do povo informações devidamente apuradas e de relevância para a sociedade, como por exemplo, ainda não temos vacinas para toda a população, por quê? Provavelmente, você, leitor, deve lembrar que foi iniciada a CPI da COVID coincidentemente no dia da morte do ator.

Contudo, vale lembrar, também, que a abertura de uma CPI não significa resultados satisfatórios. Investigue as mais famosas e veja sua conclusão (as que tiveram conclusão), cheque os investigados, citados, arrolados, julgados.... Quem são? Foram realmente punidos? Continuam em cargos públicos?

Na continuidade de tragédias e abusos, temos os contrapontos da relevância e oportunismo: Lucas Matheus da Silva, Alexandre da Silva e Fernando Henrique Soares são as crianças de Belford Roxo DESAPARECIDAS em 27 de dezembro de 2020 e, até agora, absolutamente NADA se sabe sobre o que aconteceu com esses meninos, entretanto, o caso Henry Borel já está praticamente solucionado. Obviamente, são situações diferentes em que a atuação da polícia tem de ser diferente, mas, ‘coleguinhas’, por que não intensificar as publicações para ajudar até mesmo o trabalho da polícia?

Esta mesma polícia teve uma atuação inominável no Jacarezinho e, antes do pré-julgamento pela minha abordagem no assunto, indico que assista a entrevista particularmente esclarecedora da especialista em segurança pública, Jacqueline Muniz, concedida à Rádio Brasil Atual - https://www.youtube.com/watch?v=Q76Xx3UrtmQ&list=WL. Como sempre repetimos aqui: informação não ocupa espaço.

O Dia das Mães de 2021, com certeza, foi um dos mais tristes para muitos dos sobreviventes parentais dos +420 mil mortos pela COVID-19. Além da dor das perdas, teremos esse vírus entre nós de várias formas por muito tempo, o negacionismo não tem o poder de eliminar os incontáveis órfãos e pessoas com a saúde mental extremamente afetada nesta pandemia.

Como bem disse Djamila Ribeiro, filósofa e escritora, estamos vivenciando um processo ‘incivilizatório’, precisamos reencontrar a civilidade e poderíamos começar entendendo que o Salvador da Pátria é o POVO, os cargos dos três poderes são dados a pessoas eleitas pelo POVO, direta ou indiretamente. Somos um país em construção que precisa se desconstruir.

Um amigo me disse recentemente que precisamos criar mais leis de inclusão no universo educacional público. Na hora preferi não debater, porém, percebi que mesmo ele trabalhando no âmbito político, não vislumbra a diferença entre lei e política pública. Leis nós temos e muitas, e, em sua maioria, eficazes, bastaria serem respeitadas e colocadas em prática.

Finalizo esse texto em nome de toda equipe do E aí emanando Força, Luz e Paz a todos que perderam parentes e amigos para as batalhas inglórias contra a Covid e o racismo institucional e estrutural que ceifa vidas e dizima sonhos.

Até a próxima!

P.S.: Espero com boas novas, como a sanção do governador do RJ no projeto de lei que tomba o prédio da Escola Municipal Dr. Cícero Penna, que estava ameaçado de ser vendido pela prefeitura.

terça-feira, 20 de abril de 2021

1ª Edição do Prêmio “No Mundo do Samba e Carnaval de Duque de Caxias Tem Mulheres Empoderadas”

Por Redação 

Notícia boa e que nos enche de orgulho, mas antes de contar a boa nova vamos às preliminares, rsrs.

Luciana Andreia
Divulgação
Luciana Andreia, mulher envolvida e resolvida no mundo do samba e carnaval, desde que se entende por gente essas manifestações culturais fazem parte de sua história familiar. Luciana é Professora, Agente e Produtora Cultural e Presidente do Empodera Samba, site que completa agora em 23 de abril, seu terceiro ano de existência e, apesar de ser o aniversariante, é ele quem presenteia o povo Caxiense, principalmente as Mulheres Caxienses, dando voz, vez e visibilidade a essas munícipes.

Através do Projeto Cultural Site Empodera Samba, na próxima sexta-feira, 23 de abril (Dia de São Jorge), às 20h, será a 1ª Edição do Prêmio – No Mundo do Samba e Carnaval de Duque de Caxias Tem Mulheres Empoderadas, onde serão homenageadas e contempladas vinte mulheres do universo do samba e carnaval dentro dos respectivos segmentos:

ü  Carnavalescas

ü  Harmonias

ü  Presidentes de Agremiações

ü  Aderecistas e Escultoras

ü  Compositoras; Cantoras; Instrumentistas e Percussionistas

ü  Costureiras

ü  Produtoras Musicais

ü  Jornalistas e Produtoras Culturais

E é daí que vem a notícia que nos encheu de orgulho: a nossa Jornalista/Redatora/Editora Conceição Gomes será honrosamente premiada por sua atividade como Jornalista. PARABÉNS CONCEIÇÃO!! Que este seja o primeiro de muitos prêmios em sua carreira profissional.

Parabéns também para Luciana Andreia e toda a equipe do Empodera Samba pela iniciativa, inclusão, memória e reconhecimento do trabalho desenvolvido e invisibilizado das Mulheres Caxienses no mundo do samba e carnaval.

A live show da premiação será transmitida pelo canal Empodera Samba no Youtube, ao vivo, a partir das 20h – sexta-feira (23/04), com a apresentação do grupo de pagode Sonho de Crioula. Inscreva-se no canal https://www.youtube.com/channel/UCp0XBDtA8joZ64zHs2T0Dwg e toque o sino para lembra-lo do evento.

Nós do E aí estaremos todos ligados e conectados prestigiando todas essas mulheres e, claro, nossa querida Conceição Gomes.

Até lá!


https://empoderasamba.com.br/f/a-jornalista-concei%C3%A7%C3%A3o-gomes-contemplada-do-pr%C3%AAmio-empodera-samba?blogcategory=Conquistas%20do%20Empodera%20Samba&fbclid=IwAR3YQZK2jp9AhEIR8cVmQT182P_I7YaKDdbhj_lvtpvCsZFBAFuA-LI-iIU


quinta-feira, 25 de março de 2021

Tem Aniversário, e Tem Presente!

 Por Redação

Amanhã, 26 de março, o Podcast do E aí?! completará 01 ano de vida!! Passou rápido, não é? Foram tantas reflexões, trocas de saberes e histórias que nos deram, e ainda dão, muita alegria e prazer. A todos que nos acompanharam até aqui o nosso Muito Obrigado!

O aniversário é nosso, mas é você que ganha presente. A partir do dia 29 de março até 09 de abril, todo dia entrará no ar um novo episódio.

Conceição Gomes apresenta o #VidasIndígenasImportam onde contará em três episódios, a origem do povo brasileiro, objetificando a história exclusivamente nos Índios Brasileiros, e jogando um foco de luz nos povos indígenas remanescentes em Duque de Caxias.

Com o
Vidas Pretas Fizeram História, Fábio Seabra desmembra em três episódios a contribuição cultural, social e política dos negros ainda escravizados em território fluminense e o legado desta contribuição perpetuado e ressignificado através de religiões afro-brasileiras e associações culturais.

Na sequência, Paulo Alcantara, aborda de forma específica e resumida em três episódios, a história do carnaval do Rio de Janeiro no A Grande Rio é um Sonho, pontuando com exclusividade a trajetória da GRES Acadêmicos do Grande Rio.

E sempre percorrendo um caminho lúdico e literário, Rogério Madruga traça um paralelo entre Tenório Cavalcanti, figura icônica de Duque de Caxias, e o universo do Cordel nos três episódios de Tenório Cavalcanti, Cabra Macho, Sim Senhor!  

E é isso, aproveite o nosso presente feito exclusivamente para você com muito carinho e paixão. Ah, não esqueça de lavar bem as mãos, usar álcool em gel e máscara, manter o distanciamento, muita hidratação e, se possível, fique em casa.

Esse projeto contou com o auxílio da Prefeitura de Duque de Caxias através da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, com os recursos da Lei Aldir Blanc, do Governo Federal.

https://www.instagram.com/cultura_caxias/ - https://www.facebook.com/culturaduquedecaxias

Designer Gráfico - Fábio Seabra

Locução Especial - Paulo Alcantara

Revisão de Texto - Rogério Madruga



terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Entre Realities e Realidades, Ficamos com a ARTE!

 Da Redação

 Reprodução Instagram/Zanele Muholi
Alguns leitores do blog e ouvintes do podcast do E aí?! têm cobrado nossa opinião sobre o assunto que está bombando nas redes: BBB 21.

Até o momento, não havíamos nos pronunciado, propositalmente, por não ser nossa especialidade, os realities. Entretanto, percebemos uma discussão e exposição exacerbada em relação ao assunto, e resolvemos colocar nossa colher de pau nessa panela e mexer um pouquinho.

Um pouquinho porque a ‘Vênus Platinada’ não precisa de nosso ibope, e nosso compromisso sempre foi e será com os artistas e veículos com menor alcance midiático.

Vamos lá, então ... Para início de conversa, consideramos um despropósito total por parte da emissora realizar uma edição do programa durante uma pandemia. Sim. Ainda estamos vivenciando uma pandemia. Ainda não acabou. #UseMascaraeAlcoolemGel.

A edição de 2021, obviamente, foi estrategicamente pensada pela emissora. #BlackLivesMatter. É a edição com o maior número de participantes negros. Justo no momento em que o mundo está destilando ódio, confinam pessoas que já estavam ‘confinadas’ há quase um ano (pandemia). Estava na cara que isso iria causar uma tsunami nas redes sociais.

Não condenamos nem tampouco absolvemos nenhum participante do BBB 21. Por que? Porque não somos juízes, somos apenas espectadores e pessoas comuns, logo, com erros e acertos. Assim sendo, acolhemos a todos no exercício da empatia.

É difícil apontar em nós mesmos nossos erros e assumi-los para repará-los. Diante dessa conclusão, o quê nos autoriza julgar e condenar pessoas que estão confinadas em um programa de TV? Programa esse com roteiro, edição e auto-sugestão pisicológica. Aos que estão no momento questionando: E o pay-per-view? Quem nunca percebeu a mudança de câmera no ‘ao vivo’? Isso é um ato de edição.

Todavia, isso não significa que ignoramos as consequências de causa e efeito das palavras e atitudes dos ‘brothers’, apenas não nos colocamos na posição de atirar pedras. Preferimos nos ater à teoria do Direito da ‘causa provável’, e nos valer do direito constitucional de que todo ser humano tem o direito de ampla defesa. Além de, principalmente, lembrarmos que a generalização de povos e etnias de um mesmo continente como um estereótipo preciso de caráter e comportamento é uma atitude preconceituosa e racista. Somos todos iguais, porém, com diferenças significativas que nos tornam únicos individualmente e pares no coletivo.

Os comentários sobre o reality vão do extremo bom senso à extrema desinformação. O Big Brother é um reality criado em 1999, por John de Mol (Johannes Hendrikus Hubert de Mol), executivo da televisão holandesa, sócio da empresa Endemol. A Globo tem contrato com a empresa para reproduzir o formato BBB, assim como o ‘Dança dos Famosos’ e o ‘The Voice’. Mas, não é apenas a Globo que reproduz programas da Endemol. Teve o ‘Topa ou Não Topa’, no SBT; ‘Buzão do Brasil’, na Band; ‘O Último Passageiro’, na Rede TV; e o ‘Extreme Makeover Social’, na Record.

Por que essa descrição detalhada sobre os produtos da Endemol? Para ajudar em sua reflexão sobre O Que; Por que e Como determinados programas influenciam direta ou indiretamente em nossa vida.

No antigo Império Romano as lutas dos Gladiadores faziam muito sucesso, era a atividade mais atrativa ao grande público. Os lutadores eram prisioneiros de guerra, escravos, autores de crimes graves e, para satisfazer o fetiche de alguns imperadores, mulheres e anões também lutavam. Para os vencedores a possibilidade da fama, fortuna e liberdade.

Combatentes se enfrentavam na arena e a luta só terminava quando um deles morria, ficava desarmado ou sem poder combater. Havia um responsável por presidir a luta que determinava se o derrotado deveria morrer ou não, e o povo influenciava muito nessa decisão. A manifestação popular era expressa apontando a mão fechada com o polegar para baixo, que significava que o povo desejava a morte do derrotado. Entretanto, nem sempre a morte era desejada, e a posição oposta do indicador, ou a mão fechada levantada para cima indicava que o derrotado poderia ficar vivo.

A luta dos gladiadores na arena era extremamente interessante para o Estado. Os imperadores investiam muito nesses espetáculos, já que assim conseguiam conquistar a amizade do povo. Essa era uma política chamada de “Pão e Circo”, os governantes distribuíam pão durante as lutas e assim conseguiam manipular as massas, oferecendo o que mais lhes interessava.

Se você não pegou a visão dessa correlação... lamentamos informar que você foi #Cancelado. Preconceituosos, racistas, xenofóbicos, homofóbicos, transfóbicos, gordofóbicos e todos os fóbicos NÃO PASSARÃO!

Como dito no início dessa conversa, nosso compromisso é com a ARTE. A arte que traduz e incita cultura, que abre mentes e explora horizontes (provavelmente por isso, cultura e educação não são prioridades na gestão atual do governo).

Assim, fechamos esse papo com arte e beleza em forma de música do nosso querido amigo Rafael Lima. ‘Chegou’ é um vídeo coletivo gravado entre Brasil e França. Canção composta durante o confinamento de março 2020 (França). Rafael Lima (Voz e Ukulelê) - Luiza Borges (Voz) - Vicente Alexim (Clarinete) - Annabelle Labazuy (Baixo) - Di Lutgardes (Percussão). A propósito e em tempo: Parabéns Rafa pela obra e pelo níver!


quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Epifania

Por Conceição Gomes

Um desejo incontrolável de escrever sobre coisas amenas, coisas que me faz sorrir com os olhos, que me alegram a alma ... Ando precisando desse aquecimento no coração desde que minha parceirinha felina, Maria Eleonora, fofamente chamada de Lelê, sumiu ... já estava velhinha e apresentando um quadro de demência, fugiu e não voltou mais. Foram 20 anos de travessuras, companheirismo e alegrias... E só a arte me proporciona esse prazer, então ...

Vou escrever as minhas impressões sobre os últimos filmes e séries que assisti. Ah! E não posso deixar de dar minha opinião sobre o novo álbum do Victor Chaves, o Projeto VC. Ai gente, sou fã, fazer o quê?

Mas aí, vem o subconsciente advogado do diabo me infernizar, quem assistiu ao filme Jojo Rabbit entenderá o que estou querendo dizer. Assim sendo, vou apelidar esse subconsciente de JR.

JR – Não acredito que você vai escrever sobre ‘O Dilema das Redes’ e ‘Quanto Tempo o Tempo Tem?’, e deixar de comentar a mais nova denominação de sentença para o crime de estupro: O Estupro Culposo!?

Oi??? Estupro culposo?? Bom, valendo-me do que aprendi na faculdade de jornalismo, fui apurar a história. Após ver na internet todo o burburinho do caso, o comentário de um Desembargador aposentado na página do site Conjur explicando minuciosamente o ocorrido, lendo e relendo a matéria, além de assistir ao vídeo da audiência do site do The Intercept Brasil, consegui chegar aos seguintes fatos:

  1.  O Intercepet se valeu de um trecho1 da Lei 13.7182 que tipifica os crimes de importunação sexual, publicada em 25 de setembro de 2018, para exemplificar o que constituía dolo e modalidade culposa3 no caso de Mari Ferrer.
  2.  O juiz não fez valer sua autoridade em relação ao advogado de defesa, que humilhou a vítima e passou em muito de um limite aceitável.
  3.   Na sentença, o juiz determinou que, como não foi possível determinar a vulnerabilidade da vítima (já que os exames toxicológicos mostraram que ela não estava alcoolizada nem drogada), valeria o princípio in dubio pro reo (expressão latina que significa literalmente na dúvida, a favor do réu).

Triste realidade da mulher desde sua existência primeira. E este é um caso que ganhou volume em visibilidade, já as meninas do Quilombo Kalunga4 ainda esperam por um desfecho satisfatório. São vítimas constantes de estupro há mais de vinte anos, geralmente pelos próprios patrões, homens de 20 a 70 anos de idade, de famílias classe média.

Quilombo Kalunga - Foto: Valter Campanato

As meninas entre 10 e 14 anos são entregues pelos responsáveis, em confiança, a famílias de Cavalcante (GO), para que possam terminar os estudos em troca de comida, abrigo e horário livre para irem à escola.  Tornam-se empregadas nestes lares e ficam expostas a todo tipo de violência, tais como: abusos, estupro, tráfico de crianças para o trabalho escravo, e exploração sexual. Em 2015, esses abusos ganharam destaque na imprensa pela conclusão de inquéritos da polícia civil, no entanto, até hoje, os culpados ainda não foram punidos.

Ok. Vou aliviar um pouco a indignação falando dos filmes que assisti ...

JR – Lá vem você de novo com ‘O Dilema das Redes’ e ‘Quanto Tempo o Tempo Tem?’

Sim. Quero deixar registradas as minhas impressões sobre esses filmes. Mesmo com uma diferença de cinco anos de produção entre eles, para mim foram complementares. Não em contexto, mas, sim, em relativização ao que se fazer do e com o seu tempo “livre”.

O primeiro me vendeu a ideia: ‘Essa invasão de privacidade e lobotomia vai dar merda, então vamos nos assegurar juridicamente que sairemos ilesos com um ‘mea culpa’, e para não perder a viagem, lobotomizar mais um pouquinho.’

O filme não apresenta novidades, tudo já era sabido por nós há muito tempo, claro que não com a riqueza de detalhes, mas a vigilância virtual é uma realidade desde 2004 com o Orkut, do Google, seguido do facebook, do Zuckerberg. Ele induz, mesmo que subliminarmente, àqueles que em tudo acreditam a realmente crer que têm o controle sobre o que ver e seguir nas redes.

E vem justamente num momento pandêmico, em que a internet é o grande, se não, único, caminho de comunicação e visibilidade equitária no mundo. Além da propaganda reversa, a partir do momento que citam repetidamente para diminuir, tomar cuidado com os ACESSOS ÀS REDES, o cérebro humano entende: ACESSE, VEJA AS OPINIÕES SOBRE, INFORME-SE MAIS ... De brinde cai em nossos colos de paraquedas os avatares do facebook, principalmente quem assistiu ao filme foram os primeiros a participar da brincadeira.

O segundo foi minha redenção, chamou-me de volta à realidade. O que realmente importa para mim? O que eu faço do e com o meu tempo? As novas tecnologias e a globalização promovem uma produção constante, crescente e simultânea de conteúdo e informação. Quem disse que preciso estar nesta velocidade atroz para ser considerada competitiva, atuante e produtiva? O compartilhamento da privacidade por meio de redes sociais é importante para quem? Filósofos, cientistas e religiosos têm percepções e teorias distintas sobre a contagem do tempo. Será que realmente dá pra contar o tempo?

JR - Enfim, Quanto Tempo o Tempo Tem? Quanto tempo até você saber pelo Presidente da República que o Brasil é um país de ‘maricas’?

O quêêêê?????? Acho melhor nem comentar, posso ser incluída no Mapa de Influenciadores que a BR+ Comunicação (empresa contratada pelo Ministério de Ciência e Tecnologia) preparou e entrar para o grupo de ‘detratores’ do governo. Se bem que as atitudes governamentais que ganham foco e viralizam, para mim, são cortinas de fumaça para que assuntos como a mineração de urânio (o mundo querendo se livrar disso e a gente inventando ideia), o apagão do Amapá (tragédia anunciada para outros Estados neste verão), COVID-19 (isolamento e lockdown são NECESSÁRIOS, flexibilização é irresponsabilidade), entre outros, não sejam devidamente discutidos e noticiados amplamente.

JR – Calma, isso é só a beira do abismo, porque você vai despencar quando pensar no João Alberto Freitas assassinado no Carrefour, em Porto Alegre, e a cereja do bolo foi o presidente da Fundação Palmares chamá-lo de marginal. Ah! Bota aí na conta que agora racismo e homofobia podem ser também sintomas de bipolaridade, depressão e síndrome do pânico.

😮😯😡👿Para quem ainda insiste na teoria do “mimimi” ou “vitimização” indico assistir a série ‘Afronta!’ de Juliana Vicente, ou, ainda, rever caso já tenha assistido – Cara Gente Branca (Dear White People), baseado no filme homônimo de 2014, os capítulos 5 e 6 da 1ª temporada são perfeitos, altamente elucidativos.

Dica Extra – Série Documental: Sankofa – A África Que Te Habita, do fotógrafo César Fraga, e do escritor e professor Maurício Barros de Castro. São10 episódios, onde juntos, percorreram dezenas de cidades e povoados de 9 países do continente africano em busca de lugares de memória do tráfico transatlântico de pessoas negras.

JR – E as eleições? Novela internacional e nacional com capítulos interessantes: 

  • Biden que se cuide porque vai pólvora do Brasil pra ele. 
  • Washington Reis impugnado e reeleito, agora depende do julgamento do TRE, entretanto, independentemente do resultado, os bairros de Duque de Caxias que são atendidos pela empresa de transporte – Viação União – continuarão com o tempo de espera no ponto do ônibus de no mínimo 01 hora e 30 minutos, durante a semana, e aos domingos e feriados simplesmente NÃO têm. 
  • No Rio, parece que Zé Pilintra é o cara! Ainda bem.

E não pense que a deficiência da Viação União no atendimento à população dos bairros Parque Duque, Parque Beira Mar, Vila Guanabara e trechos da Vila São Luis em Duque de Caxias, é por causa da redução da frota em decorrência do COVID-19. Não, esta é uma deficiência de décadas. 

Chega JR! O mundo não vai me enlouquecer e tampouco me contaminar com um ódio sugestivo.

Então ... No início de novembro foram disponibilizados as últimas músicas e clipes do Projeto VC, álbum do cantor e compositor Victor Chaves, composto de dez canções e clipes; e um mini documentário. Uma delícia de se ouvir para quem gosta de letras e melodias simples, entretanto, carregadas de romantismo, verdades e de uma genialidade despretensiosa de Victor tanto como músico como arranjador.

A música “Claridade” é uma ode ao amor, literalmente, sua linha melódica me fez lembrar de Cesária Évora, cantora Caboverdiana que fez o gênero musical ‘morna’ tornar-se conhecido mundialmente, aliás, que delícia é a versão de ‘Mar Azul’ dela com Marisa Monte. Eita que dei uma viajada nos pensamentos... Como dizia ... Claridade é uma ode ao amor, um striptease sentimental. Quando Victor a postou no Youtube, só voz e violão, letra e melodia já faziam ecoar essa beleza íntima, e agora após a costura com outros instrumentos, virou um 'bolerão' que dá uma vontade danada de dançar.

"Mar de Estrelas" me parece ser o novo marco civilizatório da carreira de Victor, a letra já induz a isso - 'Chega de mentir pra si, é o fim do ciclo de velhas canções ...'. Confesso que fiquei triste por "Você Não Ama a Quem Você Deseja" não ter entrado no álbum, uma das minhas preferidas. Quando ele a publicou no youtube ela tinha uma levada meio Dire Straits, e seria interessante ver/ouvir o novo formato.

Em "Outra Vez, Te Amo", Victor apresenta de forma magistral o seu lado musicista, cada frase no violão de arrepiar.

Pessoalmente falando, a marca principal deste álbum será o de não conseguir desvincular as divertidas caricaturas inseridas no clipe de “Epifania”, dos músicos: o tecladista André Henriques agora reconhecerei como ‘André Lumita’ (uma espécie de fada, as lumitas, do RPG Galadar e os Sete Reinos); o baixista Ivan Corrêa passa a ser ‘Ivan Gnomo’ (se bem que pelas orelhas e nariz está mais para um Goblin); e o baterista Léo Pires virou ‘Leucomelas Pires’ (nome científico do sapo mineiro). Enfim, brincadeiras à parte, é um belíssimo conjunto de ações individuais: Letras; Melodias; Instrumentos; Voz... Parabéns Victor, valeu a espera!

E a você que chegou até aqui lendo essa turbulência de fatos, reflexões e impressões, experimentando de minha intimidade (subconsciência) desejo uma boa semana, e uma vida (saudável) com esperança e luz. Até a próxima!

“Todo grande sonho começa com um sonhador. Lembre-se sempre, você tem uma força interna, a paciência, e a paixão para alcançar as estrelas para mudar o mundo.” - Harriet Tubman

  

1Tipo subjetivo: adequação típica - O elemento subjetivo do crime — importunação sexual — é o dolo constituído pela vontade consciente de praticar a ação descrita no tipo penal, qual seja, praticar, na presença de alguém e sem a sua anuência, ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro. No entanto, o dolo somente se completa com a presença simultânea da consciência e da vontade de todos os elementos constitutivos do tipo penal, mas, principalmente, do não consentimento da vítima. Com efeito, quando o processo intelectual-volitivo não abrange qualquer das elementares constitutivas do tipo penal, o dolo não se completa e sem dolo não se tipifica o crime de importunação sexual, e não há previsão de modalidade culposa. Trecho de: Anatomia do crime de importunação sexual tipificado na Lei 13.718/2018 – 30/09/2018.

2A lei foi criada para preencher lacunas do sistema penal em relação a crimes de cunho sexual, devido aos fatos ocorridos nos transportes públicos de São Paulo em agosto de 2017 (aqueles criminosos ejaculando em mulheres sem chance de defesa).

3... Segundo o promotor responsável pelo caso, não havia como o empresário saber, durante o ato sexual, que a jovem não estava em condições de consentir a relação, não existindo portanto intenção de estuprar – ou seja, uma espécie de ‘estupro culposo’. O juiz aceitou a argumentação. The Intercept Brasil – 03/11/2020.

4Comunidade quilombola Kalunga - Maior quilombo reconhecido oficialmente no país, contempla o território que abrange os municípios de Cavalcante, Monte Alegre e Teresina de Goiás na Chapada dos Veadeiros, no nordeste goiano. Estamos falando de 253 mil hectares de terras, com uma população de aproximadamente entre 9 e 11.000 pessoas. Desses 253 mil hectares, apenas 31 mil foram titulados e entregues à Associação Quilombo Kalunga. O restante ainda se encontra em processo de regularização fundiária.


terça-feira, 6 de outubro de 2020

Nós Por Nós Mesmos!

 Por Conceição Gomes

Semana boa e com grandes notícias. Este, sem dúvida, é o texto que mais me agradou escrever. Saber e divulgar projetos consistentes, de altíssimo nível, do povo preto para o povo preto é uma satisfação pessoal! Axé/Amém!

A primeira boa notícia vem da área da SAÚDE. Pensando no problema do racismo estrutural, buscando dar visibilidade ao profissional de saúde negro e conectá-lo a pacientes que buscam representatividade e atendimento mais qualificado em diversas atuações da área de saúde, chega ao mercado a AfroSaúde, uma health tech de impacto social focada em desenvolver soluções tecnológicas em serviços de saúde para a comunidade negra.  


Na plataforma, o paciente poderá buscar médicos, dentistas, fisioterapeutas, doulas, nutricionistas, psicólogos e profissionais das mais diversas atuações em saúde de forma prática que entendam as especificidades da população negra para um atendimento mais qualificado.
http://app.afrosaude.com.br/#/

Bom isso, não?! Entretanto, um assunto ainda a ser muito explicado e discutido, e não apenas entre ou para racistas, até mesmo para aqueles que se veem não racistas, ou antirracistas, este, ainda é um universo a ser debatido à exaustão. Uma pequenina informação para aguçar a reflexão dos que acreditam que este tipo de ação não seria tão necessário nos dias de hoje.

... Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2014, os negros (pretos e pardos) eram a maioria da população no país, representando 53,6% dos brasileiros. Atualmente, 80% da população cujo plano de saúde é exclusivamente o Sistema Único de Saúde (SUS) é negra. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (2015), das pessoas que já se sentiram discriminadas por médicos ou outros profissionais de saúde, 13,6% destacam o viés racial da discriminação.

Estudos mostram que o racismo não é uma questão vinculada especificamente ao SUS. Na rede privada, o racismo também está presente. A diferença nas taxas de mortalidade hospitalar é uma evidência...

Texto na íntegra em https://www.geledes.org.br/negros-sao-mais-suscetiveis-doencas-evitaveis-no-brasil/?gclid=CjwKCAjwq_D7BRADEiwAVMDdHr09XbqJGdWJciBeKgtX6KSzzldAO0DhXU4pT5NdSYYid9Bp464l_xoCdeEQAvD_BwE

 E a segunda excelente notícia vem da área JURÍDICA. Um coletivo de advogados reuniu-se para atender voluntária e gratuitamente às pessoas que sofrerem casos de racismo. O Respire Advocacia Antirracista é um projeto que reuniu um grupo de advogados espalhados por Minas Gerais, Bahia, São Paulo e Brasília, inquietos e incomodados, para atuar contra o preconceito racial, seja ele expresso ou velado.

E tão inquieta quanto eles, entrei em contato com o Carlos Santos, idealizador do projeto, fiz algumas perguntas, e ele, gentilmente, nos respondeu. Veja abaixo:

Carlos Santos
Foto: Divulgação
O que; Quando; Como; Onde; Por que o projeto nasceu?

O Projeto Respire nasce de uma inquietação pautada pela minha vivência como homem negro e advogado. Há um tempo que milito nas redes contra o racismo, mas senti a necessidade de ir além do discurso. O Respire, portanto, nasce com a filosofia de efetivar uma luta contra o racismo, de concretizar o discurso antirracista. A indignação é importante, mas indignação por si só, internalizada em nós, não resolve esses problemas que são reais no nosso cotidiano. Não podemos viver apenas alternando indignações. Somado a essa vontade de enfrentamento efetivo do racismo, a alta propagação de casos de violência envolvendo pessoas negras foi decisiva para que o projeto saísse do papel. Convidei alguns amigos próximos que sei que possuem um engajamento na luta similar ao meu e juntos estamos levando o projeto à frente.

Qual é a estrutura orgânica, e como mantém a infraestrutura econômica do projeto?

Atualmente, não temos nenhuma estrutura física de funcionamento. Não temos uma sede. Atuamos, em regra, à distância, por meio eletrônico. Há casos em que existe uma demanda presencial, daí atendemos conforme a possibilidade ou urgência do caso. Até agora, tem dado certo. O projeto também não conta com recursos financeiros. Todo o custeio, por enquanto, é feito por nós mesmos colaboradores do projeto.

Falando financeiramente, já que são voluntários, como vocês atuam em relação à prioridade de casos? Exemplificando: Sofri um caso de racismo, quero acionar legalmente, entretanto, não tenho renda para pagar as custas de um advogado, procuro o Respire Advocacia Antirracista. Pergunto: Farei parte de uma lista em que o advogado disponível me atenda SOMENTE quando ele não tiver outro caso que o remunere, ou terei a mesma atenção e acompanhamento que um caso pagante?

A ideia é não fazer qualquer distinção entre os assistidos do Respire. Nenhum deles desprende nenhuma quantia, salvo quando for necessário algum documento pago, diligência ou algo assim. Mas até o momento, inclusive eventuais deslocamentos foram custeados por nós mesmos. O projeto não possui nenhum advogado trabalhando em tempo integral e com exclusividade. Os atendimentos são feitos no tempo livre de que dispomos. Todos os colaboradores vivem da advocacia, portanto também não temos como exigir dedicação exclusiva. Os casos são atendidos por ordem de chegada e conforme a urgência demandada. Se são casos que possuem prazos em aberto, damos prioridade a eles. Esse é o único critério que estabelecemos até mesmo pra não deixar a pessoa desassistida no tempo em que lhe couber se manifestar num processo, por exemplo. No início éramos 8 advogados, hoje já somos 15 (os demais foram incluídos na última semana). Apesar da demanda relativamente alta, estamos conseguindo manter um fluxo positivo de andamento. O fato de atendermos no nosso tempo livre, não significa que secundarizamos os casos. Alguns de nós dispõem de 1 hora por dia, outros um dia por semana, outros duas horas nos fins de semana. Na qualidade de idealizador do projeto, me sinto integralmente responsável pelos atendimentos e estabeleço uma meta pessoal de resposta. Foi a forma que identificamos de continuar tocando o projeto sem recursos, mas também de não deixar de atender ninguém. Esse é outro princípio que defendemos, inclusive. Todos os casos, sem exceção, devem obter resposta. Já temos portas fechadas demais na nossa cara pra reproduzir a mesma conduta.

Aproveito para divulgar a mentoria jurídica também gratuita que daremos a pequenos empresários negros que precisem atualizar ou formalizar seu negócio. Esse é um dos próximos serviços que disponibilizaremos. Entendemos que o empoderamento passa também pela questão econômica. Essa é uma forma de reconhecermos o enorme potencial criativo e de produção de riquezas da negritude. É preciso criar condições para que negros e negras estejam cada vez mais no topo, em posições de liderança e controle.

Foto: Divulgação
Minas, Bahia, Distrito Federal e São Paulo. Como outros Estados podem fazer parte do projeto?

A meta é continuar crescendo e ampliando nossa rede para mais Estados. Disponibilizamos em nosso perfil um link para que novos advogados se juntem a nós. Foi assim que os novos participantes ingressaram no projeto.

De forma simples, para que qualquer pessoa possa entender, o que é considerado crime de racismo e injúria racial? E suas respectivas penas.

Bom, inicialmente precisamos enfatizar que se tratam de leis distintas. A injúria racial, também chamada de injúria preconceituosa, é tratada pelo Código Penal, e se refere à ofensa dirigida a uma pessoa específica, em razão não apenas da sua cor, mas também da etnia, religião, origem ou condição de pessoa idosa ou ainda portadora de deficiência.

Já os crimes de racismo são vários e estão previstos na Lei 7.716 de 1989. O crime que guarda maior semelhança com a injúria racial é aquele definido no art. 20 da Lei 7.716, porém a diferença básica é que nesse caso a ofensa é dirigida a um grupo de pessoas, uma coletividade. Não se consegue “pinçar” quem seria o ofendido, embora ela de fato ofenda, humilhe, inferiorize toda uma minoria. Os demais crimes de racismo se referem a condutas impeditivas (negar ou impedir alguém de entrar numa loja, escola, restaurante, por exemplo. Se recusar a promover alguém no trabalho em razão da cor, impedir de usar o elevador social etc). Todos esses são definidos como crimes de racismo pela legislação.

Em relação às penas, ambos os crimes preveem pena de prisão de um a três anos e multa. A diferença básica consiste no fato de que os crimes de racismo são inafiançáveis e imprescritíveis por expressa previsão constitucional, enquanto a injúria racial só se tornou imprescritível recentemente devido a uma exemplar decisão do Superior Tribunal de Justiça.

Inúmeras Casas de Culto de Matriz Africana tiveram seus terreiros violados e ficou claro que as agressões não foram ocasionais ou pontuais, mas, sim, que essas agressões foram violentamente direcionadas contra todas as Casas de Axé.  Isso se caracteriza como racismo religioso? É crime? Que ações devemos tomar nesses casos?

O racismo tem várias faces e se manifesta de inúmeras formas. A destruição de Templos de religiões de matriz africana não é aleatória, é mais um reflexo da sociedade brasileira, historicamente racista, que alimenta um ódio enviesado a tudo que traz alguma lembrança da negritude. A profanação de Templos, bem como dos objetos de culto, é crime previsto tanto o Código Penal, quanto na Lei de Racismo (7.716, citada acima). O primeiro passo é registrar um boletim de ocorrência e procurar auxílio jurídico. Pode-se também levar o fato diretamente ao conhecimento do Ministério Público para que tome as providências cabíveis. O mais importante é não se calar, não abaixar a cabeça para crimes dessa natureza. Precisamos combater o racismo em absolutamente todas as frentes, só assim conseguiremos pensar numa sociedade menos injusta e menos violenta.

Além do instagram, onde encontramos o Respire Advocacia Antirracista?

O Respire também pode ser encontrado no Twitter @ProjetoRespire. Em ambas as redes há um link com os formulários tanto para as vítimas de racismo quanto para outros advogados que queiram se juntar a nós. São todos muito bem vindos e só temos a somar. Por fim, tomo a liberdade de enviar link para o curso Raça e Justiça que irei ministrar no final de outubro. https://www.sympla.com.br/raca-e-justica-no-brasil__999636  O curso possui uma taxa simbólica de inscrição, mas há também um link de manifestação de interesse para aqueles que no momento não possam arcar com a inscrição. São todos bem vindos: https://forms.gle/Cmj9Skawk82RKfEV7

É isso, boas notícias devem ser compartilhadas!! E você que leu tudo e chegou até aqui, espalhe essas boas novas também. #JuntosSomosMaisFortes. Até a próxima!

P.S.: Uma rara ação extremamente positiva para a equidade profissional em nosso país, realizada pela empresa Magazine Luiza, que lançou um programa de trainees voltado para negros causou um enorme rebuliço. Um defensor público acionou a empresa judicialmente pelo feito. A Defensoria Pública da União soltou uma nota, hoje – 06/10/2020, explicando e dando seu parecer sobre o assunto:

É comum que membros da instituição atuem em um mesmo processo judicial em polos diversos e contrapostos e, por isso, é fundamental o respeito à pluralidade de pensamentos e à diferença de opiniões. Contudo, a representação judicial e extrajudicial da Defensoria Pública da União e a coordenação de suas atividades são atribuições do defensor público-geral federal (artigo 8°, I e II, da LC 80/94).

A política de cotas constitui-se em forte instrumento para a realização dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil de construir uma sociedade livre, justa e solidária, reduzir as desigualdades sociais e regionais e promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Dessa forma, deve ser incentivada como forma de reduzir vulnerabilidades.

O caminho é longo e árduo ... contudo, encontraremos com a vitória no meio dela.